O deserto do Atacama, no Chile, é uma das regiões mais secas do mundo. É muito usado em testes e treinos da NASA por ter condições semelhantes às de Marte, mas também é conhecido por ser um depósito de roupas usadas, um cemitério fast fashion que recebe todos os anos 60 mil toneladas de roupa, sapatos e acessórios, descartados em vários pontos do planeta.
Mas hoje o assunto não são roupas, são flores. Por causa do fenómeno meteorológico El Niño, este ano caíram quantidades anormalmente altas de chuva naquela região. Isto fez com que milhares de sementes adormecidas germinassem e nascesse um jardim em território árido.Neste mês de Outubro, espera-se que a floração atinja o pico, cobrindo uma área de 15 mil km quadrados.
O deserto de flores tem quase duas mil espécies diferentes, algumas só se encontram nesta região do mundo. As suas cores de alto contraste no deserto, cor de rosa e roxo vibrantes, também algum azul, procuram chamar rapidamente a atenção de polinizadores, aproveitando o curto período de existência. As flores fazem com que o deserto ganhe nova vida, insetos, répteis, pássaros e até alguns mamíferos voltam ao território para se alimentar.
Nos últimos 40 anos registaram-se 15 eventos de floração no deserto do Atacama, eles tendem a acontecer a cada 3 ou 10 anos, consoante as condições climatéricas. O que surpreende e preocupa os cientistas é que em 2025, o Atacama também se transformou num jardim, e antes disso, tinha acontecido em 2022. Ou seja, é cada vez mais frequente ter flores no deserto.
Este ano o fenómeno “Jardim do Atacama” é justificado por um Super El Niño, que tem provocado, e vai continuar a provocar devastação em países da América do Sul, mas também cria as condições ideais para que nasçam flores coloridas no deserto.
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