O NOS Alive’25 contou com vários nomes novos no cartaz, mas trouxe também algumas recordações e regressos. Um destes foram os Glass Animals. Embora os conheçamos sobretudo pela canção “Heat Waves”, eles têm novo disco, I Love You So Fucking Much, editado no ano passado.
A banda inglesa atuou no primeiro dia do festival, que estava completamente esgotado, e, por essa razão, estava também bastante difícil aceder ao recinto — a entrevista com Dave Bayley, o vocalista da banda que estava animado e contente por regressar oito anos depois ao festival que os recebeu quando ainda estavam no começo, atrasou-se ligeiramente porque os próprios Glass Animals estiveram presos no trânsito. Por isso, a Inês Henriques começou por querer saber se estavam bem:
Muitos anos sem voltar, mas o que é que mudou desde então?
A maior mudança nestes anos todos que passaram foi ter arranjado um cãozinho, segundo Bayley. Nesta montanha-russa de acontecimentos, foi inevitável voltar ao fatídico ano de 2020, em que editaram um disco, Dreamland, cujo single, “Heat Waves”, foi um sucesso literalmente da noite para o dia:
Dave confessa que foi simultaneamente um sonho e um pesadelo. Conta que estavam a dar concertos na América quando começou a pandemia, e, assim que as coisas foram fechando, eles deixaram de tocar na esperança de voltar aos palcos uma semana depois. A verdade é que nunca terminaram a digressão que estavam a fazer e que, quando se aperceberam de que iria demorar dois anos até o mundo “normalizar”, Dave foi ao ponto mais baixo em que já esteve. Ainda assim, por questões contratuais, editaram o disco no período pandémico.
Apesar de ter tido esse momento tão baixo na vida, será que lhe soube bem voltar a subir e ter um retorno inesperado? Que impacto teve terem-se tornado numa espécie de sensação da internet? Ele explica que há “mixed feelings” e, embora grato…
Tudo foi muito estranho… Eles próprios dissociaram, porque nada parecia real: tudo acontecia na internet, e eles não podiam tocar. O melhor da música, diz, é tocar e ter a sensação de que as pessoas estão juntas. Dave sentiu-se um impostor nessa fase em que o sucesso passou apenas pela internet, afirmando também que é preciso ter os pés assentes na terra depois de um sucesso como “Heat Waves” e continuar a fazer música com o mesmo empenho e a mesma dedicação. Agora, quase um ano depois do seu lançamento, como é que corre esta era de I Love You So Fucking Much?
A sensação de tempo para Dave é estranha: diz que parece que passaram dez anos e, ao mesmo tempo, uma semana. A digressão levou-os a muitos lugares em que não esperavam tocar, e tem sido uma viagem louca, porque não param. Além disso, diz também que têm estado a trabalhar em coisas novas — por isso, quando parar, vai ser um alívio — e partilhou também com a Antena 3 o que faz assim que termina um período tão agitado como o das digressões:
Dave Bayley é um comum mortal, com a diferença de ser um artista que quer muito divertir-se com os fãs que vão ver os concertos de Glass Animals. Ficámos a saber que, mesmo em digressão, estão já com as mãos na massa para fazer coisas novas. Para o fim da entrevista, ficou um desejo:
Quem sabe se não nos cruzamos com Dave Bayley e o seu cãozinho pelas ruas de Lisboa em breve…
Rescaldo geral do NOS Alive’25: