Do Brasil para os Países Baixos, com passagem simbólica por Picuí, na Paraíba. O filme Yellow Cake, segunda longa-metragem do realizador brasileiro Tiago Melo, teve a sua estreia mundial esta semana no Festival Internacional de Cinema de Roterdão (IFFR), integrando a Tiger Competition, a secção principal do festival.
A competição reúne 12 longas-metragens de várias partes do mundo e é considerada uma das mais relevantes vitrines internacionais para o cinema de autor contemporâneo. Tiago Melo, que já havia passado anteriormente por Roterdão, regressa agora num novo patamar, competindo pelo Tiger Award, o principal prémio do festival, com um filme dedicado à cidade de Picuí.
Yellow Cake propõe um thriller de ficção científica com forte dimensão política, ambiental e social. A protagonista surge como uma personagem de fronteira, dividida entre dois mundos: por um lado, o dos cientistas estrangeiros que conduzem testes no local; por outro, o da população que vive na região e que pode ser directamente afectada pelas experiências realizadas. É através de Rubia que o espectador é conduzido por um universo distópico, onde ciência, poder e território entram em tensão constante.
No elenco, destaca-se a presença de Tânia Maria, numa personagem ligada à população local. A actriz, recentemente associada a O Agente Secreto — filme que recebeu reconhecimento internacional, incluindo uma nomeação técnica na área de casting nos Óscares —, vê agora mais um trabalho seu apresentado num dos maiores palcos da indústria cinematográfica mundial.

Em conversa com o realizador, Tiago Melo sublinhou a importância da *relação da população com a terra, descrita não apenas como utilitária e pragmática, mas também marcada por uma dimensão espiritual e quase mística. Essa ligação atravessa todo o filme e reforça o seu discurso crítico sobre exploração de recursos naturais, colonialismo científico e impactos ambientais.
O vencedor do prémio principal será anunciado nos próximos dias, no encerramento do festival, e Teresa Vieira continua a reportar do Festival Internacional de Cinema de Rorterdão.