As contas estão feitas, e estes são os 30 álbuns internacionais de 2025 mais votados pela equipa da Antena 3. Durante os dias 18, 19, 22 e 23 revelamos as nossas escolhas no que diz respeito a álbuns e a canções, nacionais e internacionais. Acompanha as contagens ao longo da emissão ou em atualização permanente aqui no site.
O Homem do Bussaco teve a gentileza de revelar o top 5.
Nota: Foram contempladas as edições entre 1 de dezembro de 2024 e 28 de novembro de 2025.
Dezasseis anos depois, o regresso da dupla de irmãos Pusha T e Gene Malice para uma verdadeira lição de hip hop como muitos pensavam que já não se fazia.
Conceptual, performativo e tão terrestre como celestial. Ao terceiro disco, Twigs afirma-se como um furacão musical
Eis a sigla que levou a música alternativa da Irlanda a outro patamar. A antologia de poemas de Ciara Thompson é muito simbólica, mas também arrepiante e… cómica.
Há por aí alguém que diga que os pós-rock morreu? Estavam enganados. Eis o regresso dos pujantes Tortoise, com toque de midas.
A banda folk de Adrianne Lenker duplica a dose de graciosidade, mas continua inconfundível.
O duo argentino de ouro andou a brincar com a música experimental com uma naturalidade destemida.
Cada poema, um texto sagrado, cada melodia, um escudo, cada canção, uma luz ao fundo do túnel. Tudo na pena da mente criativa dos Wilco.
O segundo disco do músico carioca, uma das vozes dos Bala Desejo, a garantir que o presente e futuro da música popular brasileira está em ótimas mãos.
São como o vinho do Porto: quanto mais velhos, melhor. Tim Gane e Lætitia Sadier insistem em fazer música bela e com cheiro de futuro.
O power-duo de Brighton chegou com uma força brutal e inesgotável. Uma estreia arrebatadora e necessária.
As irmãs com mais pinta do indie hastearam bandeira branca, mas quem se rendeu a Danielle, Alana e Este fomos nós.
O quarto álbum da neo-zealandeza é transparente como água, fluído como o sangue. Se fosse animal era um cavalo selvagem.
Orquestral, subversivo e polivalente. A banda britânica surpreendeu e reinventou-se mais uma vez.
O quinto álbum do rapper britânico é vulnerável, esperançoso e, sobretudo, cheio de groove.
O sucessor de This Wasn’t Meant For You Anyway mostra que a britânica não é apenas um fenómeno do Tik Tok. É um caso muito sério.
Se o rapper mais pomposo da última década nos liga, não há como ignorar a chamada. Mais um projeto irresistível.
Não gostamos da comida insossa e o tempero-mistério é viciante. Os Sault continuam escondidos, mas já não são segredo para ninguém.
A extensão de SOS é viciante. Lembra Ctrl, o álbum de estreia, mas tem uma aura singular.
O americano mais lisboeta do mundo é minucioso no que faz e só nos resta louvá-lo.
Um novo capítulo digno de celebrar e mais uma lição musical dada pelo professor Justin Vernon. Uma fábula encantada e pacífica.
A última vez que tínhamos ouvido falar dele foi em 2019, com Angel’s Pulse. Em agosto, o verão europeu tornou-se mais ainda mais quente depois do lançamento de Essex Honey.
O quinta longa-duração foi materializado quando Devonté Hynes ainda batalhava com o luto da morte da mãe, tornando o disco profundamente pessoal, como se se tratasse de um poço de nostalgia, embrenhado numa pop etérea, com arranjos minimalistas e o R&B já característico de Blood Orange. Embora discretas, foram várias as colaborações em Essex Honey: desde Caroline Polachek, a Lorde e Daniel Ceaser. Com a produção elegante habitual, o novo trabalho de Blood Orange transborda ternura e uma delicadeza especial.
Depois de uma estreia avassaladora, merecedora do Grammy de Melhor Álbum Alternativo em 2022, a banda de Rhian Teasdale e Hester Chamber já não se deita no divã. Estão na vertical, prontas para a reanimação; porque quem ouve Wet Leg, sabe a força que elas são capazes de transmitir.
Tal como o anterior, o segundo disco mantém o mesmo humor corrosivo e uma atitude blasé. As guitarras são elegantemente ruidosas e a produção continua a cargo do londrino Dan Carey. Responsável pela editora Speedy Wunderground, Carey e é conhecido pelo trabalho com a princesa da pop Kylie Minoge e bandas como Fontaines D.C e black midi.
A influência de nomes como Breeders ou Julia Jacklin é gritante, mas as Wet Leg têm cada vez mais uma personalidade bem oleada. Canções como “CPR” ou “mangeout” são uma espécie de imagem de marca da sonoridade e estética da banda de Wright. Imperfeitas, senhoras de si mesmo e sem igual, assim queremos e gostamos das Wet Leg.
Em tantos anos, a melhor coisa que aconteceu depois dos Talking Heads, foi a carreira a solo de David Byrne. E a melhor coisa que aconteceu depois do aclamado American Utopia, foi Who Is the Sky?.
O ex-frontman de uma das bandas mais influentes de sempre juntou-se ao ensemble nova-iorquino Ghost Train e a Kid Harpoon. Ao introspectivo Who is The Sky? também se junta a já habitual camarada St. Vincent e Hayley Williams, dos Paramore. “What Is The Reason For It?” é a canção que junta a parelha improvável e é, sem dúvida, um dos momentos chave do novo trabalho de David Byrne, numa bonita e divertida canção, estilo mariachi.
Teatral, divertido e irreverente, Who Is the Sky? é só mais uma prova da imaginação fértil de David Byrne, num belíssimo cocktail, preparado pelo ex-talking heads, com a ajuda de uma nova geração, que torna tudo ainda mais interessante.
Depois dos The Strokes, eis a grande banda nova-iorquina – os Geese. Se o trabalho anterior 3D Country já tinha surpreendido, Getting Killed deixou-nos em delírio. O terceiro longa-duração da banda – se não contarmos com A Beautiful Memory, de 2018, quando os membros da banda ainda estavam na secundária – é terrivelmente bom.
O grupo liderado por Cameron Winter pinta um grotesco retrato da atualidade norte-americana, ao som de uma voz peculiar com trejeitos que evocam tanto Jim Morrison como Thom Yorke. A restante banda é igualmente talentosa, provando-o uma e outra vez, através de uma performance neurótica mas impecável e uma presença magnética. Da lista de canções, adianta mencionar “Trinidad”, “Cobra”, “Bow Down” ou a já canção de culto “Au Pays du Cocaine”.
Lançado no final de setembro, Getting Killed tem a habilidade (rara) de surpreender do início ao fim e vai sobreviver ao teste do tempo. São, mesmo, os 45 minutos de rock experimental mais inolvidáveis de 2025. Há uma bússola para as bandas rock vindouras e chama-se Geese.
Em sexto lugar nos Melhores Álbuns Internacionais está Lotus, um álbum conceptual e simbólico, como tudo o que Little Simz faz. Tal como a flor que cresce na lama e floresce acima da água, também a rapper britânica tem a capacidade de resistir e crescer na adversidade – aliás, “Simby” não conhece outra realidade.
Há uma força poderosa dentro da rapper britânica e o sexto álbum de estúdio reflete-o: o projeto explora a dor, a raiva, a manipulação, mas também a resiliência, a coragem e um despertar espiritual como ouvimos na faixa “Free”, um dos poemas mais bonitos de Lotus.
São mais de dez canções que juntas funcionam como uma rede orgânica de hip-hop e jazz com elementos orquestrais, tornando-o um dos discos mais completos e únicos da discografia de Simz. Produzido pela primeira vez pela mente criativa de Miles Clinton James, Lotus marca o fim de uma era com o produtor Inflo, e é um documento artístico do crescimento pessoal e artístico de Little Simz. Junta nomes como Obongjayar, Moses Sumney, Michael Kiwanuka, Yussef Dayes e Sampha, realçando o que de mais bonito existe em Lotus.
Numa altura em que a curadoria foi substituida pelo algoritmo, o novo longa-duração da artista inglesa não só recorda o prazer de escutar um álbum de uma ponta a outra, como o exige. Depois do desvalorizado No Shame, Lily Allen voltou com demónios para expurgar.
Em West End Girl testemunhamos o desmoronamento do casamento com o ator David Harbour, depois de cinco anos juntos. A viagem musical segue os bastidores da relação intima entre os dois e nenhum detalhe é poupado. Em cada canção ficamos a saber mais, como se de uma peça de teatro de West End se tratasse: desde a inquietação de que algo não está certo, passando pela descoberta do badalado “Pussy Palace”, da amante “Madeleine”, do mundo das dating apps, até ao luto de uma relação.
Depois do choque, restou-lhe cantar. Gravado no decorrer de duas semanas e lançado perto do fim de outubro, West End Girl sublinha o talento na composição de Lily Allen, combinando géneros e estilos. Vulnerável e implacável, o quinto trabalho da femme fatale de Londres é, sobretudo, o retrato corajoso e cativante de emancipação feminina que marcou 2025.
A banda de Brendan Yates é uma das forças mais dinâmicas e inovadoras da cena hardcore. Têm vindo a ganhar destaque dentro e fora da cena punk, ao misturar vários géneros diferentes. O antecessor Glow valeu-lhes quatro nomeações Grammy, mas com Never Enough a banda parece capaz de conquistar até os ouvidos mais relutantes.
Embora os Turnstile sejam um grupo de cinco, Never Enough foi escrito e gravado como um quarteto e produzido pelo próprio frontman Brendan Yates. O quinto disco, gravado entre Los Angeles e Maryland, tem uma sonoridade emo bem cravada e oscila entre a nostalgia e a euforia.
Às guitarras podem juntar-se, ocasionalmente, uns teclados que nos levam para um universo jazz, mas o peso está sempre lá. “Never Enough”, “Seein’ Stars” ou esta “I Care”… são canções de ruptura e símbolos de uma nova faceta nos Turnstile.
Um autêntico Deadbeat.
Longe do psicadelismo de Lonerism ou InnerSpeaker, o chip tem vindo a mudar ao longo do tempo, mas, em 2025, Kevin Parker abraçou decididamente a música de dança. Cinco anos depois, o cientista australiano cria, em laboratório e ambiente controlado, uma rave. É um organismo vivo e mutável e o mais acessível do músico até agora. É ele próprio quem o diz: na ânsia de combater uma expectativa passada; aquelas que ficaram em 2012 quando Tame Impala tinha o cabelo comprido e louvava a solidão.
A sobrevalorizada “My Old Ways” define o tom de Deadbeat, mas o clímax acontece com o banger “Dracula” e canções mais expansivas como “End of Summer”. Clubby e perfeito para a danceteria, é o trabalho mais cândido de Tame Impala até agora, que vamos poder comprovar ao vivo em 2026, nos concertos de Lisboa e Porto com o apoio da Antena 3.
Depois de Un Verano Sin Ti, que convenceu crentes e não crentes, 2025 não poderia ter arrancado de melhor forma para Bad Bunny. Editado a 5 de janeiro, data que celebra a festa dos Reis em Porto Rico, DeBÍ TiRAR MáS FOToS aparece como uma homenagem ao país-natal de Benito, e uma celebração mais-que-perfeita da cultura porto-riquenha, feita de imigrantes. O álbum revisita várias gerações de música e ritmos desta ilha do Caribe: da salsa, ao bolero, até ao perreo old-school, sem nunca perder de vista o reggaton.
DeBÍ TiRAR MáS FOToS acaba por ser o trabalho mais pessoal deste que é o artista mais ouvido em todo o mundo. De Porto Rico para o Mundo, do mundo, esta é uma carta de amor sentida e inovadora; um marco na música latina contemporânea.
Bad Buddy ensinou-nos a querer, a dançar, a não nos esquecermos das nossas origens, dos imigrantes, de tirar mais fotos, de amar ao máximo, e de aproveitar a vida. Só temos uma para viver e o baile tem que ser inesquecível.
Sem grande surpresa, Rosalía é a dona do Melhor Álbum Internacional de 2025 para a Antena 3.
Depois do sucesso explosivo de MOTOMAMI, a artista espanhola quis compreender o outro para se conhecer melhor a si mesma, daí ter cruzado treze línguas diferentes para escrever LUX.
Lançado em setembro e gravado com a Orquestra Sinfónica de Londres, LUX desafia limites e supera todas as expectativas. A produção executiva ficou a cargo da própria Rosalía e o projeto conta com inúmeras colaborações: de Björk à nossa Carminho; de Yves Tumor à London Simphony Orchestra.
Cada faixa é uma jornada sonora experimental e empolgante, consolidando Rosalía como um dos nomes maiores da música pop contemporânea. Celestial, poderoso, pensado até ao mais ínfimo detalhe, LUX é, e dito em português: uma verdadeira pérola. Lancem as magnólias: LUX é o nosso Melhor Álbum Internacional de 2025.