As contas estão feitas, e estas são as 30 canções nacionais de 2025 mais votadas pela equipa da Antena 3. Durante os dias 18, 19, 22 e 23, revelamos as nossas escolhas no que diz respeito a álbuns e a canções, nacionais e internacionais. Acompanha as contagens ao longo da emissão ou em atualização permanente aqui no site.
Nota: Foram contempladas as edições entre 1 de dezembro de 2024 e 28 de novembro de 2025.
O encontro improvável – mas sensato – de duas forças do indie folk: o aveirense Diogo
Sarabando e um baterista bem conhecido dos Bon Iver, dos National ou até de Taylor Swift.
Disparos de guitarra elétrica, ego trips e ficções para prolongar uma relação condenada:
Leonardo Bindilatti e Lourenço Crespo não fazem a coisa por menos.
Depois do álbum Miguela, o R&B sensível de Silly – nome artístico de Maria Bentes – ganha
uma tapeçaria eletrónica ainda mais avançada.
O grupo de Francisca Cortesão segue, inabalável, no seu caminho: música suave ao toque,
harmoniosa ao ouvido, singela no amor que expressa.
Na apresentação do alter ego Simplesmente Miguel, uma rodela de funk sintético – onde
cabem niilismo, o culto a Rita Vian, e o confronto entre um tech bro e um “pseudo poeta”.
Arquitecto do hip hop nacional na última década, Rafael Alves entrega-se ao balanço e à
alegria de uma bossa nova acelerada.
Para entrar no Colors Studios, a regra é ter um timbre inconfundível. Ao lado de Billie Eilish
ou Jorja Smith, podemos agora encontrar Maro, a cantar ao vivo a faixa-título do novo álbum.
Um pequeno épico do grupo portuense, que borrata as linhas entre rock e jazz, com Rodrigo
Amado no saxofone e a voz de Calcutá.
O furacão do anti-pop, que já fez música a partir de Gisela Serrano e dos 2 Unlimited, às
turras com os rótulos e as expectativas comerciais.
Uma das vozes mais inquietas do indie português traz-nos um sossego impressionista pintado
a voz a guitarra.
Uma das mais ternas vozes brasileiras, e um produtor português, dão uma nova ginga à
cantiga popular “Se Essa Rua Fosse Minha”.
Nas nuvens com Teresa Freitas de Sousa, dançamos um groove de baixo risco e alto deleite.
Comida musical para a alma, temperada com um pouco de jazz.
O ritmo também conta a história: a esta velocidade, é difícil saborear as vitórias. Os
alquimistas do rap português conta-nos tudo sobre esse dilema.
Possivelmente a canção que mais vezes repete o algarismo “nove” em toda a história: um
ataque infiltrado ao consumismo, na forma de um jingle irresistível.
Regressou o quarteto da Amadora, e o seu hip hop travesso amadureceu, mas não demasiado:
humor mordaz e refletivo carregado de experimentação sonora.
Às portas de um novo álbum, Rafael Matos e os irmãos Varela envolvem-nos num suspense
de guitarras: queda livre com reviravolta pelo meio.
Maria João Lameiras, cantautora de Leiria, escolheu o apelido mais adequado à música que
nos propõe: um assombro folk, quase terapêutico, sobre um amor descompensado.
Duas semanas juntos na Casa Varela, em Pombal, deram nisto: a simbiose monumental entre
um grupo do pós-rock e uma das vozes mais destemidas do jazz.
Dueto sensorial, entre a angústia e a nostalgia: David Santos faz 20 anos de carreira e Débora
Umbelino foi convidada para a festa.
Uma expressão japonesa que o “trovador de patilhas” traduziu numa canção com melodias de
encher o peito, e coros de Margarida Campelo.
Uma espécie de Liga dos Campeões da rádio pública, roubando a metáfora a Mizzy Miles. É um dos nomes vitais do hip hop contemporâneo, e dá o pontapé de partida para o nosso top. Em 2024, fez o espetáculo de abertura da Supertaça, e agora aponta agulhas para estádios maiores, alémfronteiras.
Eis a canção da vitória. Mizzy Miles esfalfou-se para erguer a taça; agora, partilha-a com dois colegas. Slow J, seguro e convicto ao ataque, cria linhas de passe para Gson, membro dos Wet Bed Gang, à velocidade da luz.
Não estão sozinhos em campo: tudo acontece sobre uma batida ágil, como se a cada segundo fintassem expectativas. Esta é a assinatura de um produtor em ascensão, que não toma o êxito por garantido.
Que tal um tornado? Neste single, Inês Sousa fala-nos de vulcões, furacões e a energia de sete mares: coisas que não se invocam de ânimo leve. Mas não se trata de um drama.
Esta é a afirmação a solo de uma artista habituada ao palco, habitualmente em coletivos – Julie & the Carjackers, ou a banda que acompanha Afonso Cabral. Mikado é o seu disco de estreia, e o título adequa-se à pop de Inês Sousa: é clássica, rapidamente aprendemos as regras do jogo, mas há aqui uma estratégia maior. Uma perícia que se revela, quando lhe damos toda a atenção.
“Tornado” é o cartão de visita: dentro de um rock suave, pode caber a maior fúria de viver. Ilustrada não só pela respiração ofegante, mas por melodia atrás de melodia incansável.
Como é a época balnear em Sófia? A literal capital da Bulgária fica no interior do país, longe do litoral. Mas a nossa Capital da Bulgária, nome artístico de Sofia Reis, tem mais opções… para “Morrer na Praia”. Que tal as Avencas? Quem sabe Armação de Pêra? Ou Castanheira de Pêra?
Seja qual for a escolha, poucas vezes esta expressão pareceu tão soalheira na voz de alguém – talvez desde que a cantaram os Capitão Fausto.
Em fevereiro, diz-nos neste single, foi “dar uma volta e tentou não cair de boca”. De facto,
Capital da Bulgária esteve no Festival da Canção, no passado mês de fevereiro, e não parece ter sido um desastre. A canção é sobre isso mesmo: saltar para um abismo e, ao abrir os olhos, perceber que afinal era um trampolim. Para super-poder, não está nada mal.
Permanecemos no ponto de encontro entre pop e R&B. Este groove pertence à cantautora Raquel Martins. É uma artista inquieta, a namorar a ideia de tranquilidade. Uma portuguesa emigrada em Londres, em busca do sentimento de casa. É um compromisso difícil, e isso escuta-se no seu primeiro álbum.
Música sensível, de guitarra e voz, mas que se mantém aberta aos estímulos – com bons instintos de sobrevivência, graças à influência do jazz. É o som de quem vive à flor da pele, sem alguma vez perder a compostura. É um sonho lindo que ainda agora começou.
Luís Clara Gomes e Guilherme Tomé Ribeiro já são parceiros criativos desde 2017. Mas foi apenas este ano que nos trouxeram Sudden Light, o primeiro álbum que assinam enquanto dupla.
Das batidas mais pulsantes até aos momentos de contemplação: os MXGPU percorrem todo o potencial da pista de dança. É o lugar onde o corpo se liberta, mas também onde ganha consciência de si próprio. É esse espaço que constroem em “find u”. Uma rajada de drum’n’bass dá-nos o som do movimento; os versos descrevem um corpo a correr, determinado, à procura de outro. É uma forma especial de euforia.
Foi com esta música que Papillon lançou a sua nova era: o fim de uma trilogia de álbuns conceptuais. Depois de Deepak Looper e Jony Driver, chegou Wonder, um álbum mais soalheiro – basta olhar para a capa. Mas as melodias continuam apuradas. O flow? Dinâmico. As letras? Incisivas, como esperávamos, e carregadas de uma nova sabedoria: a experiência de ser pai. “¡ +1 !” é a grande abertura: o refrão que cantámos, vezes sem conta, este ano.
A vida não tem de ser uma bitch, e o azar não vai ser um loop infinito. O rapper de Mem Martins foi atrás do sonho que a tantos é negado. Agora, encoraja-nos a fazer o mesmo – e guia-nos pelo caminho. Temos a sorte de o acompanhar, enquanto se aproxima da sua melhor forma, que é sempre a próxima. Esta borboleta guarda sempre mais uma metamorfose.
Femme Falafel não é uma mulher fatal, a refastelar-se com um bolinho de grão-de-bico – mas aqui fica a sugestão para o próximo filme de Brian de Palma. É a alfacinha Raquel Pimpão, que em 2022 nos propôs a melhor configuração possível de “Depressão”. Três anos depois, materializa-se o álbum completo, que começou a ser gravado enquanto estudava para ser pianista de jazz.
O povo diz que “não se brinca com coisas sérias” – mas era isso mesmo que lhe apetecia fazer. É o espírito do álbum Dói-Dói Proibido, e do single “Electrocardiodrama”. Comédia à parte, é uma canção de grande fôlego: algures entre o diva house – aquele piano não engana ninguém – e o funk eletrificado. Além disso, nenhuma outra canção nesta lista contém a palavra “piromasoquista”.
Enquanto tivermos A Garota Não, a canção de protesto está viva. Implica isso fazer a radiografia do país, apontar os pontos sensíveis. E importa ter – mais do que a coragem – o jogo de palavras e a habilidade com a melodia. O açúcar, digamos, para contrabalançar o arranhão: é o que faz ao longo do seu terceiro álbum, Ferry Gold, sucessor do aclamado 2 de Abril.
“Este País Não É para Mães” é uma das faixas do novo disco, um retrato contundente dos perigos de uma gravidez em Portugal: não os naturais, mas os laborais e clínicos. É uma canção a duas velocidades. Primeiro, a balada, em que cada frase é dita com o peso de uma sentença.
Depois, ganha balanço e cresce a ansiedade, à medida que se aproxima o parto. Aqui nasceu uma canção definidora de 2025, pelos melhores e pelos piores motivos.
Rodrigo Vaiapraia é dos poucos artistas que justifica aquele lugar-comum: ele dá o corpo ao manifesto e às balas, à rambóia e à perdição. Alegria Terminal, o seu novo álbum, é a tradução de uma filosofia: viver no arame e saborear essa vida. Não há alternativa, num mundo precário e criminoso.
“Eu Quero Eu Vou” é este compromisso derramado em canção: um hino tirado à pressão. Uma tempestade punk, em direto da garagem: há elogio maior? “Esta canção não tira o sangue do mar”, mas deixa claro que a felicidade também é uma luta.
É um valor seguro do hip hop português desde 2012 e também não arreda pé da nossa lista. Em 2024, reivindicou o oitavo lugar com “Que Força é Essa?”, numa reinterpretação inspirada de Sérgio Godinho. Este ano, Capicua leva o troféu da Antena 3.
“Making Teenage Ana Proud” é a peça central do seu último álbum: Um Gelado antes do Fim do Mundo. Foi uma constante dos artistas que compõem o nosso top 3: anotar os horrores dignos de Telejornal, identificar os vilões, e encontrar o ânimo para lhes responder à letra. É isso que acontece nesta ode às mulheres que insistem em brilhar, numa sociedade que insiste em minimizá-las.
Rap cuspido como fogo, por esta autoproclamada “neta das bruxas que o lume não queimou”. Nós cantamos mesmo ao lado dela, a sentir o chão em brasa. “Making Teenage Ana Proud” foi o tema mais votado pela equipa da Antena 3, na lista de Melhores Canções Nacionais de 2025.