Os Capitão Fausto estiveram à conversa com a RTP Antena 3 no festival Vodafone Paredes de Coura, antes de subirem ao palco, às 22h05. Sem a sensação de que tinham estado numa Subida Infinita, nome do último álbum da banda, Tomás Wallenstein, Manuel Palha, Domingos Coimbra e Salvador Seabra chegaram ao festival descansados e cheios de vontade de tocar, num concerto que promete atravessar diferentes momentos da história da banda.
“Há sítios especiais e este é um deles”, disseram sobre Paredes de Coura, destacando a energia do festival, o público, a localização do palco e o ambiente cem por cento focado na música.
Para esta passagem pelo festival, a banda repensou o espetáculo e o alinhamento, procurando condensar numa hora canções dos seus vários álbuns e percorrendo as diferentes fases de uma carreira iniciada em 2009.
O concerto em Paredes de Coura surge também num momento de transição: a banda revelou que um grande projeto em que estão a trabalhar há quase dez anos vai finalmente ver a luz do dia. Trata-se de uma longa-metragem com música original, que será, ao mesmo tempo, “uma coisa nova e um fim de ciclo da Subida Infinita.
A conversa passou também pela relação da banda com a vida fora da música. É precisamente desse tempo entre concertos, ensaios e discos que, dizem, também nasce a música: “Muitas das coisas que nos levaram a fazer música é justamente o tempo em que não estamos a fazer música, todas as aventuras que acontecem pelo meio.” Para os Capitão Fausto, a profissionalização não pode significar deixar para trás essa dimensão imprevisível: “Uma banda não pode ser só tocar bem instrumentos, há uma certa dose de aventura que é preciso.”
Reconhecidos como um dos grupos mais importantes da música portuguesa contemporânea, Tomás Wallenstein, ainda assim, deixa claro que “[A banda] é mais provável que se reforme do que se aburguese.”