Tem nome de furacão, lê-se em espanhol, mas Carole Moccia é uma artista italiana, vinda de Nápoles, que trouxe até Sines o seu projeto de música do Mediterrâneo. La Niña parte de um ponto de vista de alguém que é napolitana, de histórias e de tradições seculares, misticismo e a ligação à Natureza, ainda que trazendo tudo isto para uma expressão contemporânea.
Mas, tal como o FMM, La Niña não se fecha em fronteiras, e parte para outras geografias, para outras línguas – como o árabe e o francês. “O [mar] Mediterrâneo mostra-nos, diariamente, que o diálogo entre culturas nunca acaba. Estes encontros começaram há muito tempo e nunca pararam de gerar outras coisas novas. Todos os dias me apercebo que tenho, por exemplo, muitas coisas em comum com os meus irmãos e irmãs do México”, explicou a artista em conversa com João Torgal.
Nesta entrevista, Carole Mocchia falou, entre outras coisas, sobre o nome do projeto. “Talvez este fenómeno natural possa representar o meu processo criativo e a minha abordagem livre à criação”, diz. Mas não é um projeto apenas de olhar para o passado e para tradições, mas de olhar também para o presente da humanidade. “Infelizmente há coisas que nunca mudam e a história repete-se. E é saber ouvir as coisas que nos ameaçam alguns direitos básicos, como o direito à vida – que, no meu país está em crise e é visivel. Claro que o universo feminino tem que ser um dos tópicos. Há muitas coisas que ameaçam o nosso direito de sermos apenas mulheres num mundo de homens.”