“Garance” leva Cannes ao aplauso com retrato contemporâneo do alcoolismo

“Garance” leva Cannes ao aplauso com retrato contemporâneo do alcoolismo

“Garance” leva Cannes ao aplauso com retrato contemporâneo do alcoolismo

“Garance” leva Cannes ao aplauso com retrato contemporâneo do alcoolismo

A estreia de “GARANCE”, novo filme de Jeanne Herry, provocou uma das reacções mais entusiásticas dos últimos dias em Cannes — dentro e fora da sala.

Ainda antes da sessão começar, os gritos dos fãs junto à passadeira vermelha denunciavam a chegada da equipa do filme, protagonizado por Adèle Exarchopoulos. Mais tarde, já dentro da sala, o aplauso prolongado confirmou a forte recepção ao drama francês.

“Garance” acompanha uma jovem actriz que tenta construir carreira enquanto mergulha numa rotina de excessos nocturnos e dependência alcoólica. O consumo deixa de pertencer apenas ao espaço da festa e instala-se no quotidiano, mesmo quando outras áreas da sua vida parecem estabilizar — incluindo uma relação amorosa e algumas oportunidades profissionais.

Sem procurar o choque ou o dramatismo extremo, Jeanne Herry opta por um olhar contemporâneo e próximo sobre o alcoolismo, tratando o tema de forma sensível e reconhecível. O resultado é um retrato menos distante e mais humano de um vício frequentemente tratado de forma estereotipada no cinema.

Apesar de não surgir já como uma obra consensualmente “maior” da competição, “Garance” está a destacar-se pela forma equilibrada como aborda um tema social ainda pouco discutido com esta perspectiva no grande ecrã.

Teresa Vieira é, uma vez mais, a repórter especial da 79.ª edição do Festival de Cannes.