No fim do ano fazemos listas. Não para ganhar discussões, mas para perceber em que estado andou a nossa cabeça durante estes últimos 12 meses.
Deixo-vos as minhas escolhas deste 2025 que valem o que valem, para quem as quiser agarrar.
Livro
‘Cicatrizes’ do Dino D’Santiago
Um livro que não se lê em silêncio. Lê-se com pausas. Com a sensação de que alguém abriu o peito, mostrou as marcas e disse “é assim que se sobrevive”. Não é leve, mas é necessário. É uma missão. Um “abre-olhos”. E fica. Como… bom, como cicatrizes.
Filmes
Este ano foi cinematográfico, no sentido literal e emocional. As minhas escolhas vão para:
Frankenstein de Guillermo del Toro: porque se alguém pode pegar num clássico, dar-lhe alma nova e ainda torná-lo em poesia inquietante ao mesmo tempo, é ele.
E, spoiler alert, os monstros somos sempre nós.
Sinners é um western intenso, desconfortável e daqueles que continuam a passear na nossa cabeça dias depois. A brilhante prestação de Michael B. Jordan e a banda sonora são à prova de qualquer medo de sustos (e ainda levei alguns).
Zootopia 2: sim, animação. Sim, animais. Sim, continua a dizer mais verdades do que muito drama adulto. Quem me conhece sabe que não resisto a um bom serão de desenhos animados.
Como Treinares o Teu Dragão (live action): nostalgia com orçamento e emoção à solta. Funcionou. E eu adorei! Perdoem-me.
Guerreiras do K-Pop: cor, força e empowerment em modo volume máximo.
Estas últimas escolhas podem ou não ter a ver com o facto de ser mãe de dois e posso ou não ter sido obrigada a ouvir em loop a banda sonora destas Guerreiras. Entranhou-se? A resposta é sim. “WE’RE GOIN’ UP UP UP…”
Música (ou “as descobertas que salvaram os meus dias”)
Masego é aquele ponto perfeito entre jazz, soul e groove moderno. Música que desliza sem pedir licença, soa sofisticada sem ser snob e faz qualquer dia ganhar balanço. Descobri-o este ano e ficou. Daqueles artistas que não gritam para chamar atenção, mas acabam sempre no centro da sala. Em loop rodou “Unhinged”, single lançado em outubro.
Barry Can’t Swim, projeto assinado por Joshua Spence Mainnie, foi mais uma redescoberta. Apesar do single mais recente “All My Friends” me ter chamado para vo9ltar atrás e escutar todos os outros “bangers” de que já me tinha esquecido.
Rosalía, porque não joga no mesmo campeonato de ninguém. É uma escolha óbvia e de muita gente, bem sei, mas LUX trouxe mesmo luz a um mundo tão sombrio como o que vivemos atualmente. É um sopro, um batimento, um sussurro, uma voz, uma melodia. Acabei a chorar, vocês sabem que sou lamechas.
Tame Impala, aquele clássico que nunca falha. E mais uma vez Kevin Parker prometeu e cumpriu. Deadbeat é um disco para ficar. Fará parte das bandas sonoras de verão, apesar de já trazer quentinho no inverno. É festa, é dança, é alegria, apesar das letras muito pessoais e algo densas. Em Abril de 2026 lá estarei, Kevin!
E, para não me alongar mais, o surpreendente regresso de Robyn. “Dopamine”, o novo single, vem lembrar-nos que crescer não implica perder o refrão e que a música pop sabe envelhecer com muita pinta.
Séries
Adolescência, porque falou do que preferimos fingir que não vemos e funciona como “wake up call” para quem tem filhos sobretudo, mas também para quem não os tem. É bri-lhan-te!
Stranger Things – ÓBVIO – porque ainda sabe ser evento. E como super fã de toda a saga, e algo ansiosa pelo final, dizer que os irmãos Duffer não se perderam nem nos deixaram perder. É mais uma prova da sua genialidade e um regresso a Kate Bush, Talking Heads, The Clash e tantas outras belas canções que servem de banda sonora aos ataques mais loucos de monstros com cara de figo aberto.
E White Lotus, vista finalmente, com atraso, mas com direito a julgamento completo de personagens – todas “horríveis”, todas fascinantes. Venha de lá mais uma temporada.
Concertos
Percebi que este 2025 não me deu nenhum concerto ao vivo. Falta de tempo… mas é uma coisa que vou trabalhar para atingir em 2026. Por isso, os meus não foram no meio da multidão, mas foram sentidos. Juntos por Gaza, música como urgência e tomada de posição e, porque sou enorme fã, Branko no Coliseu que nos oferece dança, identidade e catarse num só concerto. Ambos disponíveis na plataforma RTP Palco.
Resumo do ano? Muito som, muitas histórias, alguma nostalgia e zero arrependimentos. Se diz muito sobre mim? Diz. E eu fico bem com isso.