José Ricardo

José Ricardo começou a treinar aos 15 anos, quando o Clube Desportivo da Póvoa precisava de treinadores. Desde então, construiu uma carreira de várias décadas, passando por diferentes clubes, equipas e contextos competitivos. A sua ligação ao basquetebol mantém-se porque, como explica, o jogo está sempre a mudar e exige que treinadores e jogadores continuem a aprender.

Hoje, uma das suas maiores preocupações está na estrutura competitiva do basquetebol português. José Ricardo questiona o reduzido número de jogos da principal divisão nacional e considera que jogar mais é essencial para desenvolver atletas, aumentar a competitividade e dar maior visibilidade à modalidade. Menos competição significa também menos oportunidades para os jogadores evoluírem e para os clubes se afirmarem junto de potenciais patrocinadores.

Mas a exigência de José Ricardo não se limita aos seniores. No Desportivo da Póvoa, a formação assenta em objetivos concretos, acompanhamento regular dos treinadores e avaliação do trabalho realizado. O técnico defende que não basta aumentar o número de atletas: é preciso garantir condições de treino adequadas, oportunidades de competição e um percurso que permita aos jovens chegar à equipa principal. A aposta na formação faz parte da identidade do projeto, não é apenas uma alternativa quando faltam recursos.

A conversa aborda ainda o desenvolvimento do talento, a relação entre treinadores e novas gerações e a necessidade de aceitar que os métodos de hoje podem deixar de funcionar amanhã. José Ricardo defende metas claras, mas também capacidade de adaptação. Fala da importância de provocar situações de desequilíbrio no treino para obrigar os jogadores a encontrar novas soluções e explica como a informação disponível mudou a relação entre atletas e treinadores.

Há também espaço para o lado pessoal. José Ricardo recorda a experiência de treinar os próprios filhos e a necessidade de equilibrar exigência e afetividade, sem perder de vista a responsabilidade perante toda a equipa. No final, fica o retrato de um treinador que continua a questionar as suas certezas, a aprender e a procurar formas de melhorar o jogo.

Mais do que uma conversa sobre basquetebol, este episódio é uma reflexão sobre a importância de definir objetivos, criar condições para evoluir e construir projetos que deixem marca para além dos resultados.