Aos 89 anos, Mário Barros decidiu afastar-se do basquetebol ativo, mas está longe de se afastar do jogo. Depois de uma vida dedicada ao treino, à formação e ao ensino, prepara agora uma nova etapa: escrever, partilhar conhecimento e continuar ligado a uma modalidade que nunca deixou de o apaixonar.
A história começou na rua, ainda criança, com um cesto desenhado a giz e uma bola de basquetebol. Passou pelo Vasco da Gama, pelo FC Porto, pelo Académico e por outros clubes, acumulando títulos, gerações de jogadores e uma impressionante capacidade para se manter ligado à evolução do jogo. No FC Porto, esteve 15 anos e participou em cerca de dez campeonatos nacionais.
Mas o legado de Mário Barros não está apenas nos títulos. Está na forma como encara o treino. Para o treinador, ensinar não é entregar respostas, mas criar condições para que o jogador compreenda, pense e encontre soluções. “Só aprende quem compreende” é uma das ideias centrais de uma filosofia baseada na leitura do jogo, na criatividade e na capacidade de decisão.
Aos olhos de Mário Barros, o basquetebol também mudou porque os jogadores mudaram. Há hoje mais informação, mais recursos e mais estímulos, mas também mais distrações. O desafio do treinador passou, por isso, a ser ainda maior: conseguir desenvolver jogadores capazes de compreender o jogo e não apenas executar aquilo que lhes é pedido.
Agora, depois de fechar um ciclo de décadas dentro de campo, Mário Barros quer continuar a ensinar. Pensa publicar um livro, escrever artigos e transmitir às novas gerações aquilo que aprendeu ao longo de uma vida inteira. E deixa uma ideia que resume toda a conversa: mesmo depois de uma carreira inteira, ainda há sempre alguma coisa para aprender.