Paulo Cunha pertence a uma geração que conseguiu levar Portugal ao topo do mundo no 3×3 numa época em que as redes sociais ainda não davam ao desporto a visibilidade que hoje conhecemos. O título foi construído jogo após jogo, contra adversários de enorme dimensão e com uma equipa que começou por ir “participar” e acabou por se tornar aquela que ninguém queria defrontar.
A história de Paulo começa muito antes desse momento. Dos Chelseanos à seleção do Porto, passando pelo Futebol Clube do Porto, foi construindo a carreira de forma gradual, conquistando espaço através do treino, da evolução e, sobretudo, do respeito dos colegas e treinadores. Uma ideia que atravessa toda a conversa: talento ajuda, mas é o trabalho diário que consolida uma carreira.
Hoje, Paulo continua ligado ao basquetebol, mas num papel diferente. Como responsável da secção do FC Porto, trabalha na construção dos plantéis, na relação com a equipa técnica e na criação das condições para competir ao mais alto nível. Depois de participar na conquista do campeonato, conhece agora o outro lado da competição: o planeamento, a gestão e a necessidade de “maximizar cada euro” para atingir os objetivos.
Na conversa há também uma reflexão sobre o futuro do basquetebol português. Mais competição, melhores contextos de formação, maior exposição dos jovens e uma ligação mais forte das marcas ao desporto são alguns dos caminhos apontados. Para Paulo, é possível planear a formação a vários anos, mas a realidade do basquetebol profissional torna muito mais difícil manter projetos estáveis e jogadores durante longos períodos.
Entre histórias de infância, viagens, títulos, 3×3, FC Porto e até encontros com nomes como Kobe Bryant, Tony Parker e Shaquille O’Neal, fica sobretudo o retrato de uma geração que encontrou no basquetebol uma forma de crescer, competir e criar laços para a vida.
Um episódio sobre basquetebol, mas também sobre amizade, respeito, ambição e tudo aquilo que acontece muito antes de um campeão levantar um troféu.