Fazer amigos é uma coisa complicada, mas há vários estudos científicos sobre o assunto. De um modo geral, fazer amigos é um processo influenciado por uma mistura de traços individuais, estruturas ambientais e profunda compatibilidade biológica. A proximidade física é um dos fatores fundamentais para fazer amigos, como ficou provado num estudo que inquiriu 235 crianças sobre as suas amizades quando andavam na escola primária e mais tarde, na adolescência. Os resultados mostraram que os alunos que se sentavam juntos, tinham mais probabilidade de ficar amigos, mas à medida que o percurso escolar evoluiu e foram mudando de lugar na escola, as amizades também sofreram alterações. Os cientistas dizem, por isso que, forçar as crianças a estar juntas, é o melhor caminho para elas ficarem amigas. O mesmo não acontece com os adultos.
Um estudo de 2025, concluiu que a forma de fazer amigos muda radicalmente da infância para a idade adulta, nomeadamente com a entrada na universidade, com muitos alunos a reportarem solidão e dificuldades por não conseguirem fazer amigos com a mesma facilidade que faziam na escola. Ou seja, na universidade já não chega estar na mesma turma ou ficar sentado lado a lado, para conseguir criar amizades. O espaço e as estruturas na comunidade, também são importantes na amizade.
Outro estudo, também de 2025, analisou várias pesquisas já publicadas para perceber como as organizações comunitárias favorecem ou não a criação de amizades. A conclusão é que os espaços comunitários são locais que estimulam as interações sociais, não só pelo facto de planearem atividades que juntam as pessoas, mas também porque oferecem um espaço seguro para iniciar conversas informais. Espaços comunitários ajudam desconhecidos a encontrar afinidades e favorecem a criação de pontes entre diferentes culturas, dizem os investigadores. Se a proximidade física facilita a amizade, os traços de personalidade podem explicar a sua duração.
Num estudo de 2021 com mais de 100 alunos universitários chineses, concluiu-se que as pessoas têm mais probabilidade de ser amigas de quem tem personalidade parecida, e também dos que têm personalidades opostas, o que no fundo confirma duas coisas do senso comum: somos atraídos pelas semelhanças, mas também pelos opostos. Em 2022, outro estudo, concentrou-se na associação entre amizade e tipos de personalidade, concluindo que as pessoas extrovertidas têm mais amigos do que a outras. A neurociência também tem coisas a dizer sobre a amizade, estudo de 2024, revela que os amigos processam a informação no cérebro de forma semelhante. Na nature human beahviour, um estudo do ano passado concluiu que essa sincronização não acontece depois das pessoas serem amigas, é anterior, o que sugere que tornamo-nos mais facilmente amigos de pessoas que têm processos mentais semelhantes aos nossos, mas a convivência com elas aumenta a sincronização. Ou seja, mesmo que não saibamos exactamente como fazer amigos, o nosso cérebro tem uma ideia de quem devemos escolher.