Neste novo trabalho, a tradição popular — as lengalengas, as repetições e as expressões que atravessam gerações — cruza-se com a experimentação eletrónica, as memórias familiares e uma atenção renovada à voz, explorada como instrumento. Se o disco anterior era marcado pela intensidade sonora, agora há uma procura de contraste, de espaço e de silêncio. A composição e a produção continuam a caminhar lado a lado, num processo que a própria descreve como simbiótico.
Há também espaço para encontros e descobertas: das colaborações com Bandua e Stereossauro à participação dos franceses Sages Comme Des Sauvages, que Ana Lua Caiano admirava antes de os desafiar para uma canção bilingue. Uma conversa que passa ainda pelos concertos recentes em França, pela música que nasce em família, pela timidez e o desconforto dos silêncios em palco, pelas máquinas que às vezes falham e pelas histórias insólitas que ficam para contar — incluindo vacas que tentam comer um vestido de palha.
Entre inquietações antigas, novas cumplicidades e a vontade de transformar temas pesados em música que também se dança, Ana Lua Caiano conta-nos como se faz um disco sobre a vida, a morte e tudo o que acontece pelo meio.
