O espírito do tempo lisboeta: gentrificação, absurdo e um toque de distopia. Uma cidade saqueada, transformada, e cada vez menos para os seus. O turismo, o imobiliário e o lucro tomam conta, enquanto os lisboetas assistem de lado — se é que ainda conseguem ficar. Isto é um falso documentário, uma sátira, uma forma de rir do que também nos dá vontade de chorar (muito). É português, mas podia ser em qualquer lado. É cinema, mas é muito 2025. Os géneros esbatem-se, as línguas misturam-se, e a mensagem é clara: estamos f\*didos!

Uma produção Luso-Francesa, assinada por Leonor Bettencourt, pela Produtora Maria & Mayer e pela banda FreeFreeDomDom, o filme traz um olhar provocador sobre o Portugal actual e sobre o falso glamour em redor da fama. No elenco junta Laetitia Duveau, Philippe Duval, Inês Correia Mendes, Nuno Represas, Shuggie.
Em entrevista ao CoffeePaste, Leonor Bettencourt revela: “É um filme sobre como a realidade ultrapassa a ficção. A maior parte das pessoas tenta a vida toda e sem sucesso. A vida é injusta. Tudo é político. As emoções, os afectos, a nossa personalidade, enfim… Adorava conseguir escrever histórias de amor, mas tenho vindo sempre a trabalhar temas que me são próximos como a psicologia, a política, a música e a moda, por exemplo. Acho que este filme até pode ser uma história do meu amor por Lisboa, mas da Lisboa pré-gentrificação. Sabemos que é algo inevitável nos dias que correm, mas precisava de extremar tanto? O que é uma cidade sem os seus? O que é feito de um país se a juventude não tem lugar e vive em esgotamento, entre vários trabalhos e alguns colegas de casa? Precisamos de espaço e de tempo. A roda tem de desacelerar. Tudo o que temos é uns aos outros.”
O filme tem estreia comercial a 21 de maio, no Cinema City Alvalade, em Lisboa, com apoio RTP Antena 3. Mais salas pelo país fora serão anunciadas em breve.