João Figueiredo

João Figueiredo chegou ao basquetebol quase por acaso. Cresceu num bairro de Aveiro onde dezenas de crianças passavam os dias na rua e onde o basquetebol dominava. Queria ser futebolista, mas aos sete anos levaram-no para o Beiramar. Aos 16, já tinha o primeiro contrato profissional.

Décadas depois, a relação com o jogo mudou. Depois de uma carreira como jogador, incluindo passagens por clubes como Benfica e FC Porto, João sentiu necessidade de parar. Mais tarde encontrou uma nova ambição: ser treinador. A transição obrigou-o a transformar aquilo que sabia fazer em conhecimento capaz de ser explicado e ensinado.

Essa procura levou-o a estudar comportamento humano, formação e metodologia de treino. Tornou-se, nas suas palavras, “viciado no conhecimento”. Hoje, defende que o treinador não pode limitar-se a conhecer o jogo: tem de perceber como transmitir esse conhecimento e transformá-lo num método.

Mas é quando olha para o basquetebol português que João Figueiredo sobe o tom. Para o atual treinador do Braga e selecionador nacional, existem vários problemas — da formação às competições, passando pelas estruturas dos clubes — mas o denominador comum é a falta de planeamento e de uma visão de conjunto. A solução, defende, passa por encontrar um caminho coletivo e deixar de procurar respostas isoladas para problemas que estão ligados entre si.

A conversa passa ainda pela seleção, pela formação de jovens, pela necessidade de criar mentalidade e pela urgência de voltar a aproximar os adeptos dos pavilhões. E termina como começou: com paixão pelo jogo.

Entre memória, método e futuro, João Figueiredo deixa uma ideia transversal: o basquetebol português tem pessoas e talento. Falta transformar tudo isso num caminho comum.