Um em cada 10 adolescentes prefere falar com chatbots de inteligência artificial a falar com humanos. A conclusão é de um artigo publicado no BMJ que também concluiu que 1 em cada 3 jovens escolheria a inteligência artificial e não um humano para ter uma conversa séria. Os investigadores notam que a solidão é agora considerada uma crise de saúde pública, comparável a fumar 15 cigarros por dia. Porque nem sempre é fácil, ou barato, tratar da saúde mental, os jovens recorrem cada vez mais à IA como confidente ou psicólogo, e se há apps especificamente criadas para o efeito, também há quem simplesmente use sistemas como o Chat GPT, que não foram propriamente desenhados para lidar com esse tipo de problemas, embora, tenham sempre resposta para tudo.
Segundo os autores do estudo, o que torna os chatbots de inteligência artificial tão apelativos é precisamente o que alimenta comportamentos de dependência pouco saudáveis: os chatbots têm paciência ilimitada, ou pelo menos são mais pacientes do que os humanos, estão sempre disponíveis e raramente desafiam os interlocutores a pensar de forma diferente, ou a problematizar questões. Os investigadores questionam-se sobre os efeitos que isto pode ter no desenvolvimento emocional, já que os jovens estão a aprender a criar laços afetivos com entidades que, de facto, não têm qualidades humanas, como empatia, cuidado, ou verdadeira capacidade de entender os problemas dos outros. Recomendam por isso atenção a alguns sinais problemáticos, como ficar ansioso por não ter acesso à Inteligência Artificial, referir-se a ela como um amigo, ou depender dela para tomar decisões importantes.
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