https://youtu.be/WW1Tzkl61dg
Numa entrevista de carreira a Luís Oliveira, em mais um episódio de Vocês Sabem Lá, Ace deixou um retrato direto, sincero e sem grandes filtros sobre o seu percurso, a história dos Mind da Gap, o peso do hip hop na sua vida e as marcas pessoais que ficaram pelo caminho.
O rapper portuense recorda o momento de epifania que teve com os Public Enemy: “foram quase um milagre que aconteceu na minha vida. E foi aí que pensei: ‘Eu quero ser isto. Eu quero fazer isto’”. A frase ajuda a perceber o lugar fundador que o hip hop teve no seu percurso: não apenas como influência musical, mas como chamamento de vida.
Também o nome artístico é explicado à sua maneira, entre a ironia e a afirmação de ego que sempre fez parte da linguagem do rap. “Se me perguntares porque escolhi Ace não faço a mínima ideia. A resposta que costumo dar é porque é a carta mais alta do baralho. Os outros armam-se em reis e eu sou o ás. Estou acima do rei.”
Esse lado competitivo permanece intacto. Ace assume que continua a olhar para si como uma referência maior no rap, valorizando o equilíbrio entre técnica, conteúdo e eficácia musical. “Eu continuo a ser o melhor na minha cabeça. Não há ninguém que faça rap como eu faço, com a variedade de temas ou com a skill. Há gajos que têm muita skill mas não dizem nada. Há gajos que dizem muita coisa e não têm skill. Neste equilíbrio, eu para mim continuo a ser o maior. E se não for, depois chega a parte dos refrões e mato a cena.”
A entrevista não ficou, no entanto, pela autoafirmação. Ace falou também da fase mais recente da sua vida admitindo que a criação ficou em stand by por razões práticas: é preciso pagar contas. Foi um dos momentos em que a conversa saiu da mitologia do rapper e entrou numa realidade mais material e dura.
Houve ainda espaço para revisitar a história dos Mind da Gap e uma mágoa que permanece: a de o grupo não ter terminado como gostaria: com um concerto final no Coliseu do Porto, sala cujo peso simbólico seria óbvio para o grupo.
Ao longo da entrevista, recordou ainda nomes decisivos do rap português e internacional, numa espécie de duas “santíssimas trindades” do Rap e contou episódios mais caricatos e desconhecidos, como a vez em que furou o protocolo para apertar a mão a Pinto da Costa.
Para o fim ficou guardada a mais pessoal das histórias. Uma ironia do destino que fez com que graças ao Rap, Ace possa hoje apresentar com orgulho a sua real obra prima: a filha.