Queremos muito Miles: emissão especial no Porto dedicada a Miles Davis

Queremos muito Miles: emissão especial no Porto dedicada a Miles Davis

Queremos muito Miles: emissão especial no Porto dedicada a Miles Davis

Queremos muito Miles: emissão especial no Porto dedicada a Miles Davis

Miles Davis faria 100 anos em 2026. E nós Queremos muito Miles.

No próximo domingo (24 de maio), a RTP Antena 3 instala-se no RCA – Rádio Clube Agramonte, no Porto, para uma emissão especial com conversa, discos, histórias, e ainda atuação de Azar Azar, a puxar Miles para outras galáxias. Luís Oliveira conduz a emissão, já vocês… só têm de aparecer! A entrada é livre e o evento começa às 16:00.

Porque é que queremos Miles?

Miles Davis foi um dos grandes inovadores do século XX porque nunca aceitou que o jazz fosse um quarto escuro e fechado. Tocava como quem redesenhava o ar. Poucas notas, muito espaço e uma ideia quase arquitectónica do som. Em vez de exibir virtuosismo, fazia da contenção uma forma de autoridade. Foi bebop, cool jazz, hard bop, modal, eléctrico, funk, quase hip hop antes do tempo.

A roupa, a postura, as capas dos discos, o silêncio entre frases, a forma como entrava e saía de cena, tudo em Miles era linguagem e faziam dele um esteta radical. Compreendeu cedo que a modernidade não estava apenas nas harmonias, mas na atitude. Kind of Blue não é só um disco de jazz é um modo de estar no mundo. Bitches Brew não é só fusão é uma cidade eléctrica. O músico nascido no Illinois foi sempre, também, uma figura difícil, por vezes brutal e contraditória, marcada por comportamentos que hoje seriam justamente escrutinados e talvez o tornassem “cancelável”.

Miles tinha nele nele uma tensão incómoda onde tínhamos lado a lado o génio que abria portas estéticas e o homem que nem sempre merece absolvição moral. Não vale a pena polir a biografia para ficarmos com o mito. Talvez a melhor forma de o olhar seja aceitar essa fricção.

O impacto de Miles na música actual é significativo sobretudo porque o músico nascido Há um século ensinou gerações a pensar o som como matéria em movimento. No hip hop, isso sente-se na lógica do loop,  do groove como narrativa.  da atmosfera, da suspensão e nos silêncios. Uma linhagem que passa pelos samples de jazz, claro, mas vai bem mais fundo. A Tribe Called Quest, Digable Planets, Guru, Madlib, J Dilla, Flying Lotus, Kendrick Lamar ou Robert Glasper não herdam apenas acordes ou timbres mas uma atitude de laboratório. Miles mostrou que a música negra podia ser sofisticada, popular, experimental, sensual, política e futurista. Podia ser tudo isto e tudo isto ao mesmo tempo.