“Produtos Estrela” é o novo podcast da RTP Antena 3

“Produtos Estrela” é o novo podcast da RTP Antena 3

“Produtos Estrela” é o novo podcast da RTP Antena 3

“Produtos Estrela” é o novo podcast da RTP Antena 3

Chegou à RTP Antena úm novo podcast: Produtos Estrela. Um radialista, um programador e um arquivista entram num bar — ou melhor, num estúdio. Em Produtos Estrela, Luís Oliveira, André Gomes e Armando Sousa põem as cartas e os discos na mesa e discutem cultura pop, defendendo o indefensável com a paixão de quem leva a música demasiado a sério. Afectivamente e sem moralizar.

Para começo de conversa, desafiámos Luís Oliveira a falar sobre o novo podcast.

Uma fábrica de eletrodomésticos como nome de um programa de rádio? O que é que essa fábrica representa para o conceito do programa? Uma memória afetiva, um símbolo regional, uma forma de olhar para a cultura do norte ou algo inteiramente diferente?
As duas primeiras, definitivamente. Sempre achei que a minha carreira radiofónica tinha uma ligação espiritual a torradeiras e ferros de engomar. Têm ambos o potencial de aquecer e provocar um curto-circuito. Coisas boas, portanto. O programa é gravado do Porto mas pretende-se para o país, claro. Assumindo que quer o Porto quer o país nos queira ouvir, o que por si só já é um salto de fé que me tira algumas horas de sono. Como já tinha o Defeitos Especiais, que é nome de um disco de uma banda do Porto (GNR), já tinha o Circunvalasound (inspirado na artéria da cidade) achei que podia fazer sentido para manter a coerência geográfica. O próximo pode ser a Rua Escura ou Ramalde do Meio, sei lá.

Num panorama cultural em que a atenção mediática tende a concentrar-se em Lisboa, o que significa, na prática, dar voz a novas vozes a partir do Grande Porto? A ideia é trazer outras pessoas para a conversa ou também mudar os temas e perspetivas? O que nos podem contar?
A ideia era trazer outros protagonistas, sim. Nem o André Gomes nem o Armando Sousa precisam do podcast para se legitimarem, claro. Aliás, desconfio que eu é que preciso deles. Os dois, na Academia de Música de Espinho e na Fonoteca Municipal do Porto, desenvolvem um trabalho no território e com a comunidade que fala por si, mas acho que ambos produzem também um pensamento crítico construído a partir da música que interessa escutar.

O que acontece quando se junta um arquivista, um programador e um apresentador? Como surge este trio? A composição da equipa é curiosa, porque sugere diferentes formas de olhar para a cultura. Como é que estas diferentes experiências se cruzam no programa?
Dito assim, parece um princípio de uma anedota que o meu psicanalista tentaria dissecar durante três sessões inteiras, cobrando-me para tal um rim. Um arquivista, um programador e um tipo da rádio entram num bar. Espero que não perca a graça. Vamos perceber de que forma essas visões casam. Ou não casam e a aventura acaba para a semana. Eu sou fã do trabalho do André desde o primeiro EP, ou seja, desde os tempos do Bodyspace e acho que tem feito um trabalho incrível de autêntico serviço público como programador. O Armando conheço há menos tempo, mas tem um bravado nas opiniões que invejo secretamente e que pode enriquecer qualquer discussão. Não necessariamente da melhor maneira. A verdade é que, e é o que mais relevo, juntam-se três pessoas cuja vontade de ouvir, partilhar, discutir e pensar a música e cultura pop é constante, o que é claramente preferível a ficarmos em casa a pensar na inevitabilidade da morte.

Há espaço para descobrir coisas que nenhum dos três conhecia?
Claro. Eu trocava facilmente toda a música que conheço por toda a música que eles os dois conhecem e eu não.

Entre bandas, discos, livros, concertos, tendências e protagonistas, o território é praticamente inesgotável. Que critérios orientam a escolha dos temas? E terão um tema por episódio? Como será a dinâmica do programa?
A atualidade, a relevância, o sagrado, o profano, o belo e o bizarro, o que nos é próximo e o que nos é distante. Tudo isto e muito mais. O programa vai discutir dois ou três temas da semana sendo que teremos edições mais monotemáticas ou celebratórias. Terá também, para já, dois espaços fixos. O Advogado do Diabo onde um de nós defende algo que não gosta e o Pódio onde fazemos uma lista de três coisas. As três piores respostas a questionários como este , por exemplo.