Hikikomori: a palavra é fofinha, mas dá nome a um fenómeno de isolamento voluntário extremo. O hikikomori, foi assim designado no Japão no final dos anos 90 e tem alastrado pelo mundo. Começou por ser associado a adolescentes e jovens com dificuldades em lidar com a pressão escolar e social nipónicas, mas hoje em dia é transversal a várias gerações em diferentes países. O facto deste ser um problema global, tem levado a comunidade cientifica a procurar gatilhos comuns que permitam perceber e prevenir melhor o fenómeno.
Um estudo recente, levado a cabo na Turquia, e publicado no
BMC Psychology inquiriu 776 participantes entre os 18 e os 34 anos, altura que os psicólogos consideram ser a mais desafiante devido às mudanças que acontecem com a vida escolar, profissional e emocional, sobretudo numa era de redes sociais e intensa vida online. Os inquéritos pretendiam medir os sintomas de depressão, a resiliência psicológica ao stress e vulnerabilidade ao hikikomori. Os resultados mostraram que as pessoas com sintomas de depressão têm mais dificuldade em relacionar-se socialmente, ou seja, são mais propensas ao hikikomori. Já os participantes mais resilientes ao stress, revelaram maior integração social, ou seja, têm menos probabilidades de vir a isolar-se. Face aos resultados, os investigadores, acreditam que a resiliência ao stress e às contrariedades tem um efeito protetor contra o isolamento voluntário extremo e por isso deve trabalhada como terapêutica preventiva do fenómeno.
As estimativas dizem que cerca de 8% da população mundial pode passar por longos períodos de isolamento social. Portugal também já tem casos identificados de hikikomori. Um estudo de 2024 do I.S.P.A., com 124 participantes, concluiu que 1,2% já tinham adotado um comportamento de hikimori, não mantendo qualquer tipo de contacto social por mais de seis meses. Mais impressionante é quantidade de pessoas que ainda não fazem hikikomori, mas estão nesse caminho: cerca de 43% dos inquiridos portugueses mostrou estar em risco de optar por viver em isolamento extremo, limitando-se a manter contacto com o mundo apenas online. Além de agravar problemas psicológicos, o hikimori, também afeta a saúde física, além de colocar em risco a sobrevivência económica, uma vez que as pessoas que se isolam, acabam quase sempre por não conseguir trabalhar, ou perdem o emprego.
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