Cientistas e designers fizeram uma mala de couro com adn retirado de fosseis de Tyranossaurus Rex. A peça é resultado do trabalho conjunto de uma empresa de engenharia genética dos países baixos, a Organoid Company, a britanica Lab Grown Leather, que se dedica aos biomateriais, e ainda uma empresa americana de marketing. Para já, a mala T. Rex, verde azulada, está em exposição no Art Zoo Museum de Amesterdão, mas será leiloada em maio, com um preço base de licitação de 660 mil euros.
Os cientistas por detrás desta mala afirmam que o material foi desenvolvido usando fragmentos de proteínas antigas, extraídos de restos de dinossauros, que foram inseridos em células de um animal não identificado para produzir colagénio que depois foi transformado em couro. O objetivo desta ação tipo Jurassic Park é, segundo os cientistas, provar que é possivel tornar a industria da pele mais sustentável e evitar a morte de animais.
A experiência está a ser vista com algum cepticismo pela comunidade cientifica, sobretudo no que diz respeito ao uso da expressão “pele de dinossauro”, na verdade, será dificil extrair adn de fosseis de animais com 66 milhões de anos, como é o caso do T.Rex, por isso a expressão pode ser abusiva e induzir em erro, consideram alguns. Mas a chamada pele de laboratorio, ou couro cultivado, é real e representa de facto uma alternativa à pele animal. Funciona retirando pequenas células de pele dos animais que depois são cultivadas em laboratório – uma vez desenvolvidas, podem ser tratadas como o couro normal.
Em Portugal também cultivamos couro a partir de células de várias espécies, acontece nomeadamente nas Universidades do Porto e do Minho. Segundo a PETA, organização empenhada no tratamento ético dos anmais, todos os anos são mortos mais de mil milhões de animais para alimentar a indústria do couro. Já segundo a Humane World for Animals, todos os anos morrem 100 milhões de animais na indústria das peles, a maior parte é criada em quintas com condições no mínimo duvidosas. A pele de laboratório pode assim fazer com que a industria da moda seja de facto mais sustentável e menos cruel.
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