O desafio do paracetamol é um risco sério para a saúde que preocupa autoridades médicas na Europa. Este desafio, que incentiva os jovens a consumir doses potencialmente fatais de paracetamol, começou a ser falado nas redes sociais por volta de 2015, aos poucos tornou-se viral e já levou a hospitalizações na Bélgica, Suíça, Espanha e Portugal. Por cá, desde 2020 foram registados mais de 200 casos, mais de metade ocorreram nos últimos 2 anos. Os casos mais recentes levaram o Infarmed, a Ordem dos Médicos e o Ministério da Saúde a lançar o alerta sobre os riscos de sobredosagem.
O paracetamol é um dos medicamentos mais utilizados no tratamento da dor e da febre. Quando administrado de acordo com as recomendações, é seguro. No entanto, tal como qualquer outro medicamento, o paracetamol apenas deve ser utilizado quando necessário e de acordo com indicações do médico, farmacêutico ou constantes do folheto informativo. De acordo com o Infarmed, o maior risco associado ao uso de paracetamol, está na ingestão de doses superiores às recomendadas. Em adultos, a dose diária de paracetamol não deve geralmente ultrapassar os 3 g (500 mg a 1 g a cada 4–6 horas). Nas crianças, a dose é calculada com base no peso corporal.
O limite máximo, nunca deve ser excedido. A sobredosagem de paracetamol pode provocar lesão hepática grave e irreversível, que pode evoluir para insuficiência hepática aguda, necessidade de transplante hepático e, em casos extremos, morte. Esta sobredosagem pode ocorrer por ingestão única de uma dose elevada ou por uso continuado acima das doses recomendadas. Os sintomas iniciais surgem geralmente nas primeiras 24 horas e incluem náuseas, vómitos, sudação, mal-estar e letargia. Em caso de toma excessiva de paracetamol, mesmo sem estes sintomas, deve procurar-se ajuda médica porque os riscos são reais.