Valete no Vocês Sabem Lá: “Hoje tenho muitas outras possibilidades que não tinha em 2006”

Valete no Vocês Sabem Lá: “Hoje tenho muitas outras possibilidades que não tinha em 2006”

Valete no Vocês Sabem Lá: “Hoje tenho muitas outras possibilidades que não tinha em 2006”

Valete no Vocês Sabem Lá: “Hoje tenho muitas outras possibilidades que não tinha em 2006”

O rapper Valete esteve no Vocês Sabem Lá, onde recordou o início da carreira, falou dos 20 anos do disco Serviço Público; e refletiu sobre as transformações no hip hop. Discos no caminho? Certamente: um deles pensado como uma homenagem ao jazz.

É já no próximo dia 14 de novembro de 2026 que acontece o concerto “Mais Pesados da Capital”. O espetáculo está marcado para a MEO Arena, em Lisboa, e vai reunir, em palco, quatro dos mais marcantes MCs em Portugal: Sam The Kid, XEG, Regula e Valete. A propósito desse espetáculo, Valete foi o convidado do Vocês Sabem Lá, para uma conversa com Bruno Martins, numa altura em que o quarteto está a lançar canções novas. Para o rapper, este é um encontro entre quatro artistas com mais de duas décadas de percurso: “quatro sábios da música portuguesa, quatro sábios da ciência do rap, quatro sábios da vida”.

O último álbum de Valete, Serviço Público, foi editado em 2006. Vinte anos depois, o músico diz ter hoje mais possibilidades de trabalho que não tinha na altura. E dá exemplo da dificuldade que existia até para encontrar cantores para o disco – bem como da forma como chegou a Selma Uamusse, através de um amigo em comum. “Hoje tenho muitas outras possibilidades que não tinha em 2006”, afirma.

Nesta conversa, o rapper olhou em retrospetiva para a evolução da sua escrita. No início, era criticado por se concentrar no flow e rimas rápidas, mas “não dizer nada”. A reação de Valete foi aprofundar o discurso – até em excesso, algo que levou a mais críticas. Hoje, a escrita continua central na sua identidade: “Como eu tinha dificuldade de socializar, de comunicar, eu podia brilhar com a escrita. Era uma forma de brilhar.” Hoje sente-se mais liberto e tem “um só caminho”: a criação de “uma obra especial de amor perfeito entre forma e conteúdo”.

O olhar sobre o presente artístico e social é crítico e direto. Valete considera que esta é “a geração de adolescentes menos exigente musicalmente, liricamente, intelectualmente” e entende que a chegada do rap ao mainstream teve custos: “alguma coisa se perdeu. Muita coisa se perdeu”. Ainda assim, recusa confundir aquilo que é o hip hop com fama. “Eu não sou o hip hop. O Sam The Kid não é o hip hop. O Phoenix RDC não é o hip hop. O hip-hop não é este 0,1% super visível”, afirma. “ As pessoas têm que perceber o hip hop ao olhar para o que está a acontecer na rua; para as batalhas; para o graffiti; para o breakdance. É isso que dá vida.”

Uma obra especial de amor perfeito entre forma e conteúdo

Além do ativismo pela via da música, Valete tem hoje outra forma de deixar marca. Em 2024 ajudou a fundar a escola Horizontal 360, em Benfica, onde trabalha com jovens artistas de diferentes áreas e acompanha novas gerações. Diz aprender todos os dias com essa comunidade e deixa uma recomendação aos mais jovens com quem trabalha: “Tens que confiar em ti, confia no que estás a sentir.”

Quando questionado sobre o que o Valete de 1997 não perdoaria ao Valete de 2026, responde que nunca perdeu a essência: “Sou o mesmo gajo de 97. Ou seja: contracultura, politicamente incorreto. E antes morrer que vender a alma ”.

Valete

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