Investigadores chineses desenvolveram um tecido vivo, capaz de se reparar e limpar sozinho. É feito dos mesmos fungos parasitas que inspiraram a série The Last Of Us os cordyceps militaris, que na série, transformam os humanos em zombies. No mundo real, as coisas são um pouco diferentes, os cordyceps parasitam insetos, mas são inofensivos para as pessoas, e têm uso farmacológico, sobretudo na medicina tradicional chinesa.
O processo de desenvolvimento do têxtil consiste em cultivar o fungo num ambiente líquido com forma de pequenas esferas, que depois de lavadas são colocadas num molde onde os seus filamentos se entrelaçam, formando uma folha contínua de tecido. O resultado é um tecido frágil e áspero, por isso os investigadores mergulharam-no em glicerina, para o amaciar, e criar uma aparência densa e não fibrosa, mais parecida com o cabedal do que com o algodão. Para lhe dar cor, não foram usadas tintas químicas, apenas leveduras que produzem pigmentos laranja, roxo e azul, diretamente no tecido. Se este tecido rasgar, basta aplicar esferas húmidas de cordyceps na zona danificada e o tecido reparar-se-á, criando novas fibras que se entrelaçam naturalmente com as originais. Aplicar diferentes micróbios pode conferir diferentes características, como resistência à sujidade e à água ou proteção contra raios UV, esta conseguida pela ação do Aspergillus niger, o chamado mofo preto que se desenvolve no solo, plantas e alimentos.
O tecido mostrou também ser biodegradável em pouco mais de 40 dias, se enterrado no solo, o que pode ser uma vantagem do ponto de vista da sustentabilidade, mas não promete grande durabilidade das peças. Os investigadores fizeram um vestido com o material desenvolvido, que tratam como peça de exposição e nunca foi vestido por ninguém, talvez porque, como eles próprios admitem, o tecido têm um certo odor a cogumelos. Ainda assim, é altamente provável que o futuro da moda passe por soluções como esta, muito embora ainda estejamos numa fase experimental e peças deste género só devam chegar ao mercado dentro de uns oito anos, consideram os especialistas. O artigo foi publicado na Science Advances.
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