Duas vezes por ano, na Primavera e no Outono, os relógios recuam e avançam. Este acerto de horas tem por base a ideia de adaptar a atividade humana às horas de sol, algo que as sociedades ancestrais faziam naturalmente, mas que foi sendo associado, sobretudo com as guerras, a poupança de energia e eficiência laboral. A ideia original terá sido de Benjamin Franklin, num ensaio escrito no séc. XVIII, em Paris, em que defendia a ideia de aproveitar ao máximo as horas de sol para poupar velas, mas só século XX, durante a Primeira Guerra Mundial, quando Áustria e Alemanha usaram a estratégia para poupar carvão e combustível, é que o acerto de hora ganhou adeptos.
Apesar de hoje em dia ser discutível se a mudança de hora permite real poupança energética, a variação nos relógios duas vezes por ano é comum a quase 40% dos países do mundo, Portugal incluído. De resto fomos um dos primeiros países a aderir à medida, logo em 1916, durante a Primeira Guerra Mundial. Muitos países já abandonaram a prática, em muito porque foram convencidos pelos argumentos científicos que sublinham os efeitos nocivos de adiantar e atrasar o relógio: altera o ritmo circadiano e pode provocar problemas de sono, o que gera cansaço, dores de cabeça, problemas de concentração, ansiedade e depressão, entre outras condições de saúde.
A mudança de hora no Outono representa menos riscos, porque permite ganhar mais tempo de sono, mas também requer adaptação. Ainda assim, o chamado horário de Inverno, ou Standard Time/Horário Padrão, em que agora entramos, é o mais recomendado pela comunidade médica porque está melhor alinhado com a posição natural do sol, o que ajuda a regular hormonas como a melatonina, que ajuda na regulação do sono. Estudo canadiano recente conclui isso mesmo: o horário padrão é o mais benéfico para a saúde e deveria ser permanente. Caso as alterações no relógio se mantenham duas vezes por ano, os cientistas consideram que deveriam ser feitas adaptações nos horários escolares e laborais para evitar os riscos associados às mudanças no ritmo circadiano.
Se os factos mais curiosos da ciência são do teu interesse, espreita o Fricção Científica, rubrica diária de Isilda Sanches, que pode ser ouvida de segunda a sexta-feira, às 11h40, na RTP Antena 3. Tendo como fonte notícias de ciência verdadeiras e fidedignas, o Fricção Científica procura dar conta de assuntos sérios e/ou ligeiros, baseando-se sempre em descobertas, estudos, experiências, teorias e tudo o que diga respeito ao fascinante e intrigante universo da ciência.
