As conclusões sugerem que fortes vínculos emocionais com figuras famosas estão associados a uma preferência pela ordem social estabelecida e por normas convencionais.
Artigo publicado na Psychological Reports conclui que quem tem níveis de admiração elevados por pessoas famosas, defende políticas mais conservadoras e controladoras dos cidadãos. No estudo participaram 331 adultos residentes nos Estados Unidos, a amostra reuniu números iguais de auto confessos liberais, moderados e conservadores, metade dos quais mulheres e com uma média de idades de 40 anos.
Aos participantes foi pedido para responderem a um questionário que mede a chamada Escala de Atitude em Relação a Celebridades, uma escala que indica o grau de concordância com afirmações sobre a celebridade preferida e mede dois níveis de admiração. O primeiro é um nível considerado leve, de caráter social e focado no entretenimento, inclui o interesse em acompanhar notícias sobre a celebridade ou discuti-la com amigos. O segundo é um nível mais intenso e patológico, caracterizado pela sensação de que a celebridade é uma alma gémea ou de que o fã mantém com ela um vínculo especial.
Os participantes também responderam a um questionário que avaliava as três dimensões do autoritarismo de direita, avaliando por exemplo, o grau de concordância com afirmações como: “A obediência e o respeito da autoridade são as virtudes mais importantes que as crianças devem aprender”. Além disso, os participantes forneceram informações sobre nível de escolaridade, estatuto socioeconômico e orientação política geral.
As conclusões sugerem que fortes vínculos emocionais com figuras famosas estão associados a uma preferência pela ordem social estabelecida e por normas convencionais. Isto parece ser independente das posições das próprias celebridades que admiram, que tendem a ser mais liberais do que os seus fãs. Os autores admitem limitações no estudo, nomeadamente não distinguir entre celebridades políticas e outras e ter apenas participantes americanos, por isso sugerem novos estudos, incluindo sobre a influência do culto das celebridades nas convicções políticas de extrema esquerda dos fãs.
Este não é o primeiro estudo a analisar as consequências negativas do culto das celebridades. Em 2021, um estudo https://link.springer.com/article/10.1186/s40359-021-00679 associou a obsessão com pessoas famosas a pior desempenho cognitivo, mas também há investigações https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC6426373/ que concluem que este comportamento obessivo conduz a uso problemático da internet e desejo de fama.
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